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  • ANGOLA PARTICIPA NO LANÇAMENTO DA ESTRATÉGIA DE TRANSFORMAÇÃO DIGITAL E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL DO GRUPO BANCO MUNDIAL


    Missão do IMA à República da Coreia aprofundou a cooperação técnica com o Banco Mundial e o diálogo sobre soluções digitais para modernizar os serviços públicos em Angola.

    Angola, através do Instituto de Modernização Administrativa (IMA), participou, de 19 a 22 de Outubro, em Seul, República da Coreia, no Global AI and Digital Summit 2026, encontro internacional organizado pelo Grupo Banco Mundial, em parceria com o Ministério das Finanças e Economia e o Ministério da Ciência e das TIC da República da Coreia.

    A delegação angolana foi chefiada pelo Director-Geral do IMA, Eng.º Meick Afonso, e acompanhou os debates sobre a utilização da inteligência artificial, o desenvolvimento de infra-estruturas digitais públicas e as oportunidades de aplicação das novas tecnologias à prestação de serviços públicos.

    A edição de 2026 ficou marcada pelo lançamento da estratégia do Grupo Banco Mundial para o Digital e a Inteligência Artificial, apresentada pelo Vice-Presidente Sangbu Kim, que estabelece como ambição ligar mil milhões de pessoas a oportunidades até 2030. A estratégia assenta no alargamento da conectividade, na redução dos custos de acesso, no desenvolvimento de serviços digitais úteis e na preparação dos países para beneficiar da inteligência artificial, tendo a confiança e a segurança digital como condições fundamentais.

    Para Angola, estas prioridades relacionam-se directamente com os desafios da modernização administrativa e com a necessidade de desenvolver soluções tecnológicas que respondam às necessidades dos cidadãos, das empresas e das instituições públicas.
    Ao abordar a importância desta transformação para o País, o Director-Geral do IMA, Eng.º Meick Afonso, destacou a necessidade de combinar a adopção da inteligência artificial com o desenvolvimento das condições técnicas e humanas que permitem a sua utilização efectiva.

    “A inteligência artificial já está a definir a forma como os Estados servem os seus cidadãos, e Angola está a acompanhar esta transformação. Estamos a adaptar a Administração Pública a esta nova realidade, a adoptar soluções concretas e a reforçar as suas bases: infra-estrutura digital pública interoperável, identidade digital, dados de qualidade e quadros qualificados. Queremos aplicar a inteligência artificial a problemas concretos, com soluções adaptadas às necessidades do País, que ajudem os serviços públicos a responder melhor e a utilizar os recursos disponíveis com maior eficiência”, afirmou.

    O responsável acrescentou que a nova estratégia do Banco Mundial está alinhada com as prioridades nacionais de transformação digital, nomeadamente no que respeita à conectividade, à acessibilidade tecnológica, ao desenvolvimento de competências e à preparação das instituições para a utilização da inteligência artificial.

    “A nova estratégia do Banco Mundial reforça esta orientação: ampliar a conectividade, tornar os equipamentos e o acesso à Internet economicamente acessíveis, desenvolver serviços e competências digitais e preparar os países para beneficiar da inteligência artificial. A segurança, a privacidade e a protecção dos cidadãos são condições essenciais deste processo. Para Angola, estas prioridades estão alinhadas com a Agenda de Transição Digital da Administração Pública e com a nossa ambição de transformar o acesso à tecnologia em melhores serviços, maior produtividade e oportunidades de emprego”, sublinhou.

    Cooperação técnica e prioridades nacionais
    À margem da cimeira, a delegação do IMA realizou reuniões de trabalho com Jonathan Gen Naga, Director de Dados e Inteligência Artificial do Banco Mundial, e Michel Rogy, responsável pelo Desenvolvimento Digital para África e o Médio Oriente. Os contactos permitiram aprofundar o diálogo sobre as prioridades de transformação digital em Angola, com destaque para a inclusão do País no Knowledge Bank AI Framework.

    A cooperação com o Banco Mundial assume particular importância no contexto do Projecto de Aceleração Digital de Angola (PADA), financiado por esta instituição, e da Agenda de Transição Digital da Administração Pública, aprovada pelo Decreto Presidencial n.º 178/24, de 31 de Julho.

    A Agenda prevê o desenvolvimento de uma infra-estrutura digital pública inclusiva, segura e interoperável, com soluções que facilitem a troca de dados entre instituições, a verificação de identidade, a utilização de assinaturas digitais e a integração progressiva da inteligência artificial nos serviços públicos.

    Sobre os contactos mantidos com o Banco Mundial, Meick Afonso considerou que a cooperação técnica constitui um instrumento importante para apoiar a concretização das prioridades nacionais.
    “A parceria técnica com o Banco Mundial contribui para este esforço. As reuniões realizadas com os responsáveis pelas áreas de Dados e Inteligência Artificial e de Desenvolvimento Digital permitiram aprofundar a cooperação, com destaque para a inclusão de Angola no Knowledge Bank AI Framework. A nossa visão é a de um Estado mais próximo, eficiente e transparente, capaz de antecipar as necessidades dos cidadãos e das empresas e de fazer chegar os benefícios da inovação a todos, em todo o território nacional”, afirmou.

    Da transformação digital aos resultados para os cidadãos
    A participação angolana no Global AI and Digital Summit 2026 permitiu acompanhar experiências internacionais, conhecer abordagens para a implementação da inteligência artificial e aprofundar contactos com parceiros de desenvolvimento. Entre os temas debatidos estiveram a segurança das infra-estruturas digitais, a governação e partilha de dados, o financiamento tecnológico e a aplicação de soluções digitais aos serviços governamentais.
    O seguimento da missão deverá concentrar-se na sistematização dos conhecimentos recolhidos, na identificação de práticas adaptáveis à realidade nacional e na definição das diligências necessárias para aprofundar as oportunidades de cooperação identificadas.

    O desafio consiste em traduzir estas prioridades em melhorias concretas para os cidadãos e as empresas, através da simplificação dos procedimentos administrativos, da redução dos custos de acesso aos serviços públicos e do reforço da capacidade de resposta das instituições.

    Neste quadro, a transformação digital e a inteligência artificial assumem-se como instrumentos ao serviço da modernização do Estado, cuja aplicação deverá estar associada a infra-estruturas adequadas, segurança, protecção de dados e desenvolvimento de competências nacionais.